Em 2002, comecei a trabalhar, um pouco antes do Natal, em uma livraria em Curitiba. A moça do caixa ia sair de férias e colocaram-me em seu lugar. Depois da agitação do final do ano, em janeiro, mês mais calmo, tive tempo de ler enquanto nenhum cliente passava pelo caixa.
Li "O canto dos malditos" de Austregésilo Carrano, baseado em fato verídico. Constantemente tinha eu de esconder o livro porque um dos personagens do livro, que era execrado em suas páginas, freqüentava sempre a livraria.
Assíduo também era Sr.José, assim chamado pelos funcionários da loja e pelos proprietários de um restaurante próximo para não ser reconhecido o renomado escritor avesso a fotografias, tietagens e imprensa. Finalmente pude ver o rosto de Dalton Trevisan. As únicas fotos que vi, ele estava de costas. E por fim entendi o grande número de livros seus que havia nas prateleiras. Ele nunca passou pelo caixa, pois nunca comprou nada. Levava seus exemplares para serem trocados por outros. Grande sábio, e o dono do estabelecimento o bajulava sem parar. Interessante outro funcionário que o atormentava e no final de tudo, quem mereceu uma dedicatória no livro foi uma atendente simples, que não babava em cima do escritor.
Fiquei por lá somente um mês, pois não gostava de ficar no caixa e sim pela livraria comentando obras com os clientes. Além disso, era difícil lidar com o chefe e todas suas manias. Por onde eu passava, tinha vontade de parar e ficar lendo, lendo e lendo. Não ia mesmo dar certo.
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Li "O canto dos malditos" de Austregésilo Carrano, baseado em fato verídico. Constantemente tinha eu de esconder o livro porque um dos personagens do livro, que era execrado em suas páginas, freqüentava sempre a livraria.
Assíduo também era Sr.José, assim chamado pelos funcionários da loja e pelos proprietários de um restaurante próximo para não ser reconhecido o renomado escritor avesso a fotografias, tietagens e imprensa. Finalmente pude ver o rosto de Dalton Trevisan. As únicas fotos que vi, ele estava de costas. E por fim entendi o grande número de livros seus que havia nas prateleiras. Ele nunca passou pelo caixa, pois nunca comprou nada. Levava seus exemplares para serem trocados por outros. Grande sábio, e o dono do estabelecimento o bajulava sem parar. Interessante outro funcionário que o atormentava e no final de tudo, quem mereceu uma dedicatória no livro foi uma atendente simples, que não babava em cima do escritor.
Fiquei por lá somente um mês, pois não gostava de ficar no caixa e sim pela livraria comentando obras com os clientes. Além disso, era difícil lidar com o chefe e todas suas manias. Por onde eu passava, tinha vontade de parar e ficar lendo, lendo e lendo. Não ia mesmo dar certo.




