Livros e livraria

27.12.07
Em 2002, comecei a trabalhar, um pouco antes do Natal, em uma livraria em Curitiba. A moça do caixa ia sair de férias e colocaram-me em seu lugar. Depois da agitação do final do ano, em janeiro, mês mais calmo, tive tempo de ler enquanto nenhum cliente passava pelo caixa.

Li "O canto dos malditos" de Austregésilo Carrano, baseado em fato verídico. Constantemente tinha eu de esconder o livro porque um dos personagens do livro, que era execrado em suas páginas, freqüentava sempre a livraria.

Assíduo também era Sr.José, assim chamado pelos funcionários da loja e pelos proprietários de um restaurante próximo para não ser reconhecido o renomado escritor avesso a fotografias, tietagens e imprensa. Finalmente pude ver o rosto de Dalton Trevisan. As únicas fotos que vi, ele estava de costas. E por fim entendi o grande número de livros seus que havia nas prateleiras. Ele nunca passou pelo caixa, pois nunca comprou nada. Levava seus exemplares para serem trocados por outros. Grande sábio, e o dono do estabelecimento o bajulava sem parar. Interessante outro funcionário que o atormentava e no final de tudo, quem mereceu uma dedicatória no livro foi uma atendente simples, que não babava em cima do escritor.

Fiquei por lá somente um mês, pois não gostava de ficar no caixa e sim pela livraria comentando obras com os clientes. Além disso, era difícil lidar com o chefe e todas suas manias. Por onde eu passava, tinha vontade de parar e ficar lendo, lendo e lendo. Não ia mesmo dar certo.
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"Tomando guaraná e ouvindo Elis"

22.12.07


O ano de 2007 para mim foi no embalo de Elis Regina, cantora que redescobri exatamente em janeiro deste ano com todo impulso, inclusive no de comprar CDs. Baratos, mas não mais coletâneas e sim os originais, capa, contracapa e ordem das músicas iguais. Somente tamanho reduzido e mídia diferente de quando foram lançados. Com preço bom, encontrei a maioria nas Lojas Americanas por menos de R$ 10,00 cada.

Tudo começou com "Furacão Elis", de Regina Echeverria, lido em um único dia. Influenciada pelos 25 anos de sua morte, em 19 de janeiro, não consegui mais parar de ouvi-la. Mas o começo mesmo foi com a música "Corujinha" do disco "Pra gente miúda" quando eu era criança. Eu não gostava de ouvir porque tinha pena da coruja. A música de Vinícius de Moraes descreve uma coruja feia que por causa disso vive escondida. Podia jurar que Elis cantava a música chorando. Era realmente de se sentir remorso, pois até a cantora tinha pena do bichinho.

Já que o ano começou com Elis, fechou também com ela. Presente adiantado de Natal ganhei "Saudade do Brasil" duplo. Finalmente pude escutar músicas como "Presidente Bossa Nova", "Sabiá", "Marambaia" e "Moda de sangue", esta uma das melhores interpretações de Elis. Em alguns momentos ela ri, e percebo que em outros trechos desta música, assim como em "Corujinha", ela chora.
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"Bossa nova mesmo é ser presidente"

21.12.07
Hora do almoço, fila de banco grande, poucos caixas. Todos mudos, mas bufando pela demora no atendimento e "a culpa é do Lula", alguém rompe o silêncio. Outro sai em sua defesa: "isso não tem nada a ver com o Lula. Tudo agora é responsabilidade dele?"

A tal pesquisa realizada sobre o governo Lula não foi feita em filas de banco, certamente. Nem em hospitais, em universidades federais ou engarrafamentos. Mesmo que nisso não esteja o dedo do presidente, ele seria massacrado porque precisamos sempre de um Judas.

Uma pessoa feliz que comprou uma televisão, geladeira, fogão ou cozinha deve ser a entrevistada. Por mais que não tenha nada a ver com o governo, há de concordar que o mundo está mais azul, a vida melhorou sim, olha, comprei uma televisão e um aparelho de DVD pela metade do preço! Agora, pergunte para um corintiano se ele está feliz com Lula.
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Inconsciente

18.12.07
Sonhei algo estranho e engraçado hoje. A Venezuela havia roubado ouro em pó da Colômbia e eu estava ajudando os colombianos. Fui a uma sala e lá estava o ouro ocupando todo o espaço. Em frente dele havia uma bandeira da Venezuela (na verdade era o brasão do Barcelona F.C., mas sonho é sonho). Então, saí de lá gritando: "Flâmula de Colômbia, flâmula de Colômbia", para colocar no lugar do escudo do Barcelona, digo, da bandeira da Venezuela. Eu pensava: "não sei como são as bandeiras dos dois países, sei que há algumas estrelas, vermelho, amarelo e azul e são parecidas".

Depois voltei à sala, mas o ouro não estava mais lá. Peguei uns venezuelanos que sabiam onde estava o bem dos colombianos e passei a torturá-los. Eu dizia para eles em português mesmo: "sou brasileira, país do Médici, sei como arrancar de vocês a verdade" e dava tapas neles. Muito esperta eu, claro que, mesmo sendo sonho, eles não falariam nada. Minhas mãos sim ficariam machucadas.

Não havia Chávez, nem Farc, nada disso. Nem sei porque sonhei essa maluquice, sou contra a tortura e acho que falei do Médici porque ontem escutei "Apesar de você" do Chico Buarque e me veio a figura de Médici na cabeça. Não estou acusando nosso ex-presidente de torturador, foi só meu subconsciente trabalhando na hora de dormir, da mesma forma que pensei nas bandeiras da Venezuela e da Colômbia serem semelhantes.

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Gigante da Beira Rio x Anão do Lago

14.12.07

Estréia hoje o filme "Gigante, como o Inter conquistou o mundo". Aqui em Curitiba, torcedores colorados combinaram pelo Orkut comparecer em peso ao cinema Unibanco Arteplex, no Shopping Crystal, com direito a pipoca e bandeira. O filme foi dirigido por Gustavo Spolidoro, montado por Giba Assis Brasil, e com roteiro de Luis Augusto Fischer (autor de "Dicionário Porto-alegrês"). Imaginem se os rapazes não são todos colorados.

Provocação não pode faltar, enquanto o Grêmio fez o documentário "Inacreditável - A Batalha dos Aflitos", relembrando sua subida à primeira divisão no Estádio dos Aflitos, em Recife contra o Náutico, o Internacional comemora o título de campeão do mundo sobre o Barcelona do ex-gremista Ronaldinho Gaúcho.
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Bye, bye, CPMF

13.12.07


Ontem não resisti e vi um pouco da TV Senado. Como são enrolados nossos parlamentares. A votação da CPMF varou madrugada adentro e para o bem do povo, após dez anos, poderemos retirar dinheiro de nossas contas sem pagar o enfadonho imposto.

Algumas coisas são engraçadas como o senador da foto, Wellington Salgado - PMDB/MG. Antes de ele discursar, Paulo Paim - PT/RS gritava ao microfone pedindo para os senadores aprovarem a prorrogação da CPMF, não para o governo, mas para a saúde (me engana que eu gosto). Entrou em cena Salgado, dizendo que os discursos eram inflamados e que ele, nos seu 1,95 de altura, não iria esbravejar, pois seu tamanho já mostrava força.

O senador saiu em defesa de Lula, "falam que o presidente está em baixa, mas olhem a pesquisa que saiu, o homem só cresce. Olhem o que o povo diz". Tal pesquisa, realizada em 141 cidades brasileiras, entrevistou 2002 pessoas. Só no Paraná há 399 municípios, mais da metade. Qual é a margem de erro? Altíssima! Subiu dois pontos percentuais comparando com setembro. Vamos aos fatos, nesse meio tempo nenhum avião de grande porte caiu, não estourou mais escândalo e a enquete foi realizada em dezembro, mês de 13º, Natal, férias e otimismo para o ano novo. Claro que o brasileiro vai responder que está satisfeito com tudo, inclusive com o barbudo cara de Papai Noel.

Voltando ao senador de Minas, lá pelas tantas o homem começou a gritar no microfone. Ai, santíssimo, político é tudo igual, havia prometido uns minutos antes ficar calmo e de repente se transformou. Não é pelo tamanho que mostra a força, é pela feiura. Como dizia Regina Duarte de Lula, "eu tenho medo, muito medo dele".
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Rádio sem ruídos

12.12.07
Agora aqui em casa pela NET, posso escutar a Rádio Gaúcha. Ok, mesmo com novas tecnologias ainda acho estranho ouvir rádio pela TV. O velho e bom radinho sempre será, pobrezinho, somente para ser ouvido. Nunca poderá ter imagem. Se tiver, deixará de ser rádio. Internet, celular, televisão (é claro), todos com imagem. Dizem até que dará para acessar internet pela geladeira. Ainda não vejo vantagem nisso, mas penso, não tem mais o que inventarem. O pior é que antes disso, vivíamos numa boa. Agora, nos obrigamos a sermos totalmente dependentes dessas tranqueiras. A cada piscar de olhos, uma novidade. Gente, eu tento acompanhar, mas às vezes cansa. Lembro-me de que fui uma das últimas pessoas da faculdade que não sabia nem sequer ligar um computador. A maior vergonha na aula de Informática. "Quem não sabe usar computador?" E só eu com o braço erguido. Hoje em dia tento acompanhar os avanços e pra quê, se a cada segundo um novo produto é lançado? Eu já estou ficando louca. Imagino daqui a 30 anos como estará a tecnologia e se eu terei pique para acompanhar as inovações. Mesmo assim, a TV a cabo volta ao passado e transmite rádio pela televisão. O bom é que poderei escutar os jogos do Inter sem precisar me conectar a esse computador lento.
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Fiel na segundona

2.12.07


Jamais imaginei acontecer isso: torci para o Grêmio vencer e para o Inter perder. Explico, o Grêmio estava jogando com o Corinthians lá em Porto Alegre e o Inter com o Goiás lá em Goiânia. Tanto o time de São Paulo, quanto o do Centro-Oeste poderiam cair. Logo, os dois times dependiam dos gaúchos para não serem rebaixados para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. O que eu ganho com a descida do Timão? Nada, apenas me sinto parcialmente vingada por causa da safadeza ocorrida em 2005, ano em que o Corinthians vergonhosamente roubou o título do Internacional. Os colorados todos sabiam disso, mas somente este ano a imprensa mostrou gravações do ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, afirmando que o time paulista ganhou roubando. Na época, a CBF ameaçou a diretoria do Inter de punição se não parasse de reclamar. Eis que esse ano, por ironia do destino, o Corinthians dependia do Inter para permanecer na elite do futebol brasileiro. Claro, também dele mesmo, pois a vitória contra o Grêmio, independente do resultado em Goiás, já bastava para os corintianos. O time está lá embaixo agora por mérito próprio, não venham querer colocar a culpa nos jogadores do Inter, como fez o goleiro Felipe, ou no árbitro da partida, como acusa o vice-presidente Antoine Gebran. O Inter perdeu, mas jogou para valer, ao contrário do Timão que não saiu de um empate contra o Grêmio. Esbravejam a diretoria e o goleiro, mas o Inter há dois anos teve de se manter calado para não ser prejudicado pela CBF. O Corinthians é time grande, quem iria se atrever a roubar dele e facilitar para o Goiás? Se os torcedores estão sentindo mágoa sabem o que nós, torcedores do Internacional, passamos em 2005. Porém, no nosso caso houve realmente injustiça. Sei que não estou sozinha nessa. Torcedores colorados hoje no Serra Dourada ostentaram faixas com os dizeres: “2006, nós e o mundo. 2007, eles e o inferno”. E o canto da torcida de “Vamo Inter” foi substituído por uma faixa com letras vermelhas “Vamo Goiás”. Certamente os colorados não fariam isso se o campeonato de 2005 tivesse sido honesto.
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Esperança não só no sul maravilha

1.12.07
Fiquei sabendo hoje da existência dessa música. É a continuação de Asa Branca. É mais otimista.




A Volta da Asa Branca
(Luiz Gonzaga /Zé Dantas)

Já faz três noites
Que pro Norte relampeia
A Asa Branca ouvindo
O ronco do trovão
Já bateu asas e
Voltou pro meu sertão
Ai meu Deus eu vou-me embora
Vou cuidar da plantação
A seca fez eu desertar
Da minha terra
Mas felizmente Deus
Agora se “alembrou”
De mandar chuva
Pra esse sertão sofredor
Sertão das “muié sérias”
Dos “homi trabaiadô”
Rios correndo
As cachoeiras tão zoando
Terra molhada
Mato verde que riqueza
E a Asa Branca
Tarde canta que beleza
Ai ai meu povo alegre
Mais alegre a natureza
Sentindo a chuva
Me “arrecordo” de Rosinha
A linda flor do meu
Sertão Pernambucano
E se a safra
Não atrapalhar meus planos
Que que há seu vigário
Vou casar no fim do ano!
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