Corrente da leitura

14.2.08
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Então, eu uma mocinha interiorana, epa, epa, epa, nada disso. É, então, pois é, recebi um selo, é isso? Significa que uma outra pessoa escrevinhadora de blog (no caso de blogs) me enviou uma indicação. Funciona assim, a pessoa vem aqui, lê o Blogocular e gosta. Aí ela me dá um selo de qualidade, quase Inmetro. Eu devo agora indicar mais cinco blogs dos quais eu gosto. Tarefa difícil para uma mocinha do interior...

O mais interessante é que quem me enviou já foi citada aqui antes. Escreve bem. É uma grande contadora de histórias. Criadora de personagens interessantes. Fã de Luis Fernando Verissimo. É ela, Vírgula Antenada! Até já me consultei com a Dra. Gertrudes, criação do cérebro dela. Mas a terapeuta era mais maluca do que eu e me mandei.

Minhas indicações:

Kinomentários
Sinopse Inacabada
Cretino Herói
Esculacho
Alessandra Alves

Todos estão nos links aqui ao lado. Não é à toa.
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Curitiboca da clara

13.2.08

"Ó Curitiba Curitiba Curitiba, escuta o grito do Senhor feito um martelo que enterra os pregos. Teu próprio nome será um provérbio, uma maldição, uma vergonha eterna". - Dalton Trevisan

Curitiba, do tupi curi=pinheiro, tiba=muito; muito pinheiro. Essa cidade foi, na década de 1990, maquiada e forjada para que o Brasil inteiro acreditasse ser aqui o paraíso. A cidade sorriso virou Capital ecológica, Capital de primeiro mundo, Capital do Natal e Capital do Mercosul. Esse último apelido não vingou, mas os demais permaneceram na memória dos curitibanos e de outros brasileiros. Marketing puro criado por um tal político e seus demais seguidores que se revezaram na cadeira de prefeito. As tais obras arquitetônicas em arame, arcos e tubos...

A cidade é limpinha, dizem alguns. Curitiba é organizada, comentam outros. A verdade é que a capital do Paraná tem lá seus problemas como muita cidade grande. A diferença é que aqui alguns fingem não enxergar. Existem aqueles que amam a cidade, mas sabem que ela não é perfeita. Por exemplo, o escritor Dalton Trevisan ("uma espiga de milho debulhada é Curitiba: sabugo estéril"). Paradoxalmente ele é endeusado pelos cegos defensores da cidade.

Curitibanos são os nascidos em Curitiba. Curitiboca é o ser que critica Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia sem nunca ter posto os pés nesses estados. Implica com o sotaque carioca, faz piadas de catarinense e torce para algum time de São Paulo. Eu falei sobre a contradição. Não responde aos cumprimentos por ter o nariz empinado, mesmo não tendo onde cair morto. A tarifa do ônibus subiu? O curitiboca não fala nada, mesmo que isso afete e muito em seu orçamento. Ele vive de aparência, assim como a cidade. Ninguém pode saber que ele vive no aperto. Os shoppings vão cobrar estacionamento? Bico calado, nem diga nada, paga-se, afinal, grana é o que não falta. E a alta sociedade curitiboca? Bem, melhor falar sobre ela em outra ocasião. Chegam até ser deprimentes as penas soltas por aqui.

Curitibocas são da clara porque ela não tem gosto e gema é para os cariocas. Clara é sem graça, sem cor e apática.
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Oito ou oitenta

9.2.08


Faculdade, outra cidade, vida nova! Trotes, sempre nos enganando. Um palhaço lá na frente fingindo ser o professor, nos enchendo de matéria, nos assustando. A professora ali, sentada na minha frente, fingindo ser aluna, rindo sem parar. Não percebi, juro que não percebi. No lado de fora da sala, um veterano cretino subiu no ombro de um amigo e vi lá no alto da porta, onde havia uma janelinha surgir em batom vermelho "vão morrer". Ah, mas não tá morto quem peleia. E eu peleei.

Perguntavam, Britto ou Olívio? Sei lá, oras bolas, nem voto aqui. Britto ou Olívio? Agora gritavam. Mas criatura, lá no Paraná nem haverá segundo turno, a manezada votou em peso no Lerner. Não posso votar no Britto ou no Olívio, já votei lá no meu estado. Por que querem saber? Ai, vocês gaúchos, que coisa, chimango ou maragato, colorada ou gremista, Britto ou Olívio, por que tudo aqui é assim? Pronto, ganhei inimigos. Aquela gurizada toda era petista, quem ousasse falar no então candidato peemedebista, recebia no peito um adesivo do PT. Pior eu que não tomei partido nem por um, nem por outro. Quer dizer, tinha simpatia pelo candidato da esquerda, mas meus carrascos não ficaram sabendo.

Cheguei em Porto Alegre em ano eleitoral. Adorava as provocações na rua dos defensores do bigodudo e do ex-porta voz de Tancredo Neves:

– Britto vendeu o Rio Grande!

– Ah, então vota no bebum!

Faziam referência às privatizações que o candidato à reeleição realizava no estado e à fama do petista de gostar de beber. Eram assim e os gaúchos sempre precisaram de dois lados opostos. Discussões acaloradas, a garganta seca. Coca-Cola ou Pepsi? Ah, vai um chimarrão que nisso ninguém discute. Os gaúchos bebem mate quente até no verão. É apaziguador, uma boa prosa vem sempre acompanhada do velho amargo. Durante a reposição de aulas, em pleno mês de janeiro por causa da greve, meus colegas levavam cuia, bomba, erva, chimarrão e garrafa térmica. Passavam de mão em mão até chegar no professor que também bebericava. Se ao meu lado tivesse um veterano repetente, lembrava-me dos berros "Britto ou Olívio" e passava a cuia para outra pessoa. Falei que arranjei inimigos.

Um pouco antes da virada do milênio vi alguns colegas apostando no possível bug do milênio e outros contrários. No inverno do ano seguinte, pensei que tudo seria normal, mas um grupo de estudantes batendo o queixo discutia se iria ou não nevar. Não agüentei, fui para casa me aquecer com chocolate quente. Eu é que não ia ficar congelando meus ossos na rua. Melhor era esperar pela possível neve dentro de casa. Para mim, não faria a menor diferença, com ou sem neve, o frio já era intenso.

Veio a neve. No mesmo ano, eleições municipais. Tarso ou Collares. Ai, socorro! Voltei para Curitiba. O frio também era forte, mas não havia discussões. Nem neve. Quietinhos, os eleitores de Taniguchi e Vanhoni caminhavam tranqüilamente sem provocações. Engoliram um resultado suspeito sem pedido de recontagem de votos. Aceitaram passivamente o aumento exagerado da tarifa de ônibus. Conformaram-se com mudanças absurdas. Ah, saudade do Rio Grande.
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Desabafo: solte a mulher do carteiro que há em você

8.2.08
Computador, como sou dependente desse equipamento. O meu estava dodói com uma gripe passível de passar para outros colegas (para o seu computador, por exemplo). O remédio que dei não curava de jeito nenhum. A solução foi levá-lo ao conserto porque também estava fazendo um concerto com um barulhão brrrrrrrrrrrrrr!!!!!! Ficou no hospital o dia inteiro. Saiu do SUS, ou seja, nada paguei. Aqui vão as explicações.

Ele é novo, não tem um mês. Já não entregaram no prazo. Não passaram todas as informações do antigo para o novo. Ligava sempre atrás de explicações e só enrolação. Porra, paguei e exijo qualidade. Eu posso contar nos dedos os lugares em que fui bem atendida. Fico até surpresa quando atingem as minhas expectativas, quando deveria ser diferente, ficar espantanda quando algo dá errado. Em quase todos, o cliente é deixado em segundo plano. Só querem vender, vender, vender! Eu saio como a chata da história. Não estou nem aí para o que o vendedor pensará de mim. Estou no meu direito de consumidora e se todos agissem assim, talvez não tentassem passar tanta gente para trás.

No caso do computador, mandaram meu novo bebê já doentinho. No primeiro dia apresentou problemas. Aí liguei para o pessoal que fez a venda, mais uma vez. Porém, não fui calminha como das outras vezes porque, além de já ter perdido a paciência, queriam cobrar mais porque a garantia não se estendia aos softwares. Precisei argumentar, brigar para não me cobrarem nada. E ainda fui bem atendida. Cafezinho, senhora? Opa, até mudaram o tratamento e não falaram menina, como costumam fazer para mostrar o desprezo.

Será que precisa sempre baixar a mulher do carteiro* para conseguirmos as coisas? Isso é um absurdo! Quando teremos qualidade sem precisar cobrar o que foi prometido? E nem estou falando dos políticos.

* Mulher do carteiro era uma pessoa briguenta do interior do Rio Grande do Sul.
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Aos colegas da 1ª série H (1986)

3.2.08
Encontrei inspiração no blog de José Vitor, Sinopse Inacabada, ao ler o post sobre supermercado do dia 03 de fevereiro (dia de hoje para quem for lá hoje). Viajei no tempo e fui encontrar uma menina bobinha, eu! Em uma determinada aula, na primeira série do primário, a professora perguntou a todos os alunos qual era o dia preferido da semana e o motivo. Eu, como já disse, ingênua, disse que era sábado porque nesse dia a família ia ao supermercado. Era divertido, meu pai deixava eu escolher as guloseimas de que eu mais gostava. É certo que muitas vezes ele comia alguns salgadinhos e chocolates meus.

Passei vexame, metade da sala me achou maluca, a outra metade riu sem parar me achando idiota. Mas não era só isso, eu e meus irmãos brincávamos pelos corredores com os carrinhos quando o supermercado não estava muito cheio. Meu irmão mais velho sempre teve o cuidado de não esbarrar em ninguém. Depois, todos nós nos reuníamos para comer as besteiras em frente à televisão. Programa de índio? Não concordo, para mim era gostoso e me lembro com carinho dessa época. Por ser do primeiro casamento do meu pai, meu irmão mais velho morava com sua mãe. Nos finais de semana ele passava conosco e era ótimo porque ele sempre teve paciência comigo e com meu outro irmão, além de ser muito criativo nas brincadeiras.

Eu não tive cabeça na época para pensar em tudo isso e explicar aos meus amiguinhos de sala. Não era bem o supermercado e sim tudo o que acompanhava o sábado. Sorte a minha não ser filha única. Tinha muitos amigos no prédio onde morava e ainda irmãos para brincarem e brigarem. O sábado ficava mais completo quando aparecia minha quase irmã. Ela é irmã de meu meio-irmão, do segundo casamento da mãe deles. Isso os meus colegas de escola também não entendiam e eu adorava confundi-los. Mas isso é uma outra história que ficará para outro post.

Deixo aqui registrado que continuo gostando de ir ao supermercado e ainda como salgadinho. Ah, Doritos, Fandangos, Cheetos, Ruffles e Pingo d'Ouro com Coca-Cola com um bom filme. Meus ex-colegas devem fazer isso também, mas nenhum deles se lembra da minha história.
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