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Somos melhores?

7.7.10
Jornalistas (?) do Sportv ofenderam o povo paraguaio em uma matéria sobre a Copa do Mundo. Compraram uma briga gratuita ao ironizarem a cultura, os pontos turísticos e a gastronomia do país vizinho. Dito espontaneamente, ao vivo, já seria um absurdo, mas foi pior: uma matéria pensada, editada, algo com bastante tempo para ser preparado. O Paraguai foi ridicularizado e chamado de "paraíso obscuro do mundo".

Já era de se esperar a reação dos paraguaios e com toda a razão para eles. Os jornalistas (?) não pensaram no preconceito que estavam veiculando? Quando fazem o mesmo com o Brasil, todos aqui saem em defesa, é como dizer nós podemos criticar nossa pátria, pai, mãe, irmãos, mas outros não. Sabemos dos problemas pelos quais o Paraguai passa, mas pensar que estamos muito acima é total ignorância, afinal, a maior desigualdade social do mundo ocorre aqui no Brasil. No ranking mundial de educação, estamos atrás do Paraguai (percebe-se com o despreparo dos jornalistas (?)). Então, para que se gabar de algo se somos iguais ou até piores? Além disso, nós, as colônias de exploração temos muito de miséria em comum.

Quando fazemos piadas com outros é porque nos sentimos ameaçados ou inferiorizados, como anedotas com portugueses, gaúchos, e no caso aqui do Paraná, com catarinenses. Os produtores da reportagem racista estavam se sentindo ameaçados pelo futebol paraguaio? Ou Larissa Riquelme causou inveja em nossas popozudas brasileiras? Nosso país também utilizou mulheres para chamarem a atenção, e foram inúmeras vezes.

O que há de errado conosco? Sentimo-nos melhores que os demais ou seria complexo de inferioridade descontrolado? De onde tanta arrogância, porque soltar foguetes a cada gol sofrido pela Argentina? Ou teriam sobrado fogos do dia anterior quando o Brasil não conseguiu marcar mais gols?

Maitê Proença foi outra a criar polêmica ao insultar os portugueses. Depois, no pedido de desculpa foi com aquela máxima: "brasileiro faz piada de tudo". Aquilo não passou de um humor (?) fácil e de mau-gosto. Humor inteligente não precisa humilhar o outro. Obviamente que os portugueses ficaram irritados.

Lembremo-nos de que o Paraguai quando estava se tornando um país promissor, Brasil, Argentina e Uruguai, a mando da Inglaterra, destruíram o país vizinho. A aula sobre a Guerra do Paraguai – denominada assim pelos brasileiros – provavelmente foi cabulada pelos nossos jornalistas (?). Assim fica fácil, três contra um e ainda com a Inglaterra por trás de tudo.

E é dos jogadores que cobramos atitudes contra o racismo...

Assista ao vídeo do Sportv:

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Notícias da Península Ibérica

22.5.10
Controle remoto na mão, quase que instantaneamente, Globo e depois Record News, Ivete Sangalo em um canal e um touro furioso em outro. Primeiramente, a notícia do Rock in Rio em Lisboa, o que soa um tanto estranho por causa do nome. Mas, se formos observar, átomo continua com esse nome mesmo sendo divisível e Ivete Sangalo permanece sendo chamada de cantora.

Diz ela que Portugal gosta de tudo o que vem do Brasil. Hum, sei, isso inclui dentistas e turistas? Os dentistas continuam sendo desprezados pelos portugueses porque, ao que parece, nossos profissionais estavam se destacando e isso não agradou muito aos dentistas portugueses, então, resolveram inventar que o diploma de odontologia daqui não serve para lá. Também soube de uma moça que não pôde comprar pão em uma padaria porque a atendente disse que os brasileiros eram sujos e não ia vender nada para ela.

Ah, mas isso é só uma exceção. Não creio, só porque os portugueses gostam de alguns de nossos cantores e cantoras, Ivete Sangalo não pode generalizar. Ela deveria se informar melhor do país que a acolheu. Se os portugueses têm mau-gosto como nós para escolher Ivete Sangalo, isso não vem ao caso. O problema foi a edição, deveriam escolher outra fala para colocar no jornal. Ou será que aquilo foi a "melhor" coisa dita?

Resolvi dar uma zapeada e parei na Record News (inimiga número 1 da Globo) na hora em que o chifre de um touro atravessou o pescoço do toureiro e saiu pela boca. Mesmo assim, o homem conseguiu se levantar e foi socorrido. Mais tarde, outro colega matou o touro e tive de escutar a âncora do telejornal dizer: "que sorte ele teve". Naturalmente não se referia ao touro. Eu não entendo a estupidez de alguns espanhóis que insistem em manter uma tradição de maus tratos a animais.

Se na época em que inventaram a tourada precisavam dar espetáculo ao povo, hoje em dia temos Ivete Sangalo, que atravessa o oceano, dá show no Rock in Rio em Portugal e é menos nociva que toureiros.
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Quarenta e cinco

26.4.10



Com certeza você já ouviu alguém que acredita serem as telenovelas histórias reais. Geralmente pessoas menos instruídas chegam a achar estranho que determinado personagem morre em uma novela e na outra, o ator que o interpretava, aparece novamente representando outra pessoa. Pesquisas já demonstraram que algumas pessoas não sabem decodificar quando termina um programa e começa outro. Há a vinheta, nós somos condicionados a acreditar, tocou a música, subiu o letreiro, acabou. Agora, vai iniciar outro programa. Existem indivíduos que não percebem a mudança e pensam ser a mesma coisa. Imaginemos então o sanduíche global, novela, telejornal local, novela, telejornal nacional, novela. Onde termina um e onde começa outro?

E quando a novela vira notícia? Foi o caso de A próxima vítima, em seu último capítulo, o jornal de maior audiência deu cobertura com repórteres indo às ruas, perguntando os palpites de quem seria o assassino que matou tantos na novela. Imagine então aquela pessoa que não tem tanto conhecimento vendo isso.

E quando a vida real invade a teledramaturgia? Na novela O rei do gado, o senador Caxias, interpretado por Carlos Vereza morre e em seu velório estão presentes dois políticos da vida real, Benedita da Silva e Eduardo Suplicy. Piorou.

E quando a novela invade as nossas vidas, como é o caso de Viver a vida, com Luciana, personagem tetraplégica intepretada por Aline Morais que escreve em um blog sobre as dificuldades e os sucessos de sua nova condição? Pasmem, o blog existe como se Luciana fosse real. Pior, há espaços para comentários e os internautas escrevem.

Se o papel da Globo é manipular, ela faz com maestria. Isso só para ilustrar uma pequena fatia do que a emissora faz. Engana o povo desde 1965. São 45 anos de manipulação! Hum, é o número dos tucanos, não é? Coincidências...
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Notícias?

5.9.09
Ficar sem internet é uma coisa muito, mas muito ruim. Aí o que se faz? Coisas importantes como tarefa de aula, leituras e mais leituras, até mesmo de jornais, coisa que há muito tempo não fazia. Deveria ser vergonhoso admitir isso, mas não ligo, tenho certeza de que você, que agora lê essa postagem, também não faz isso com muita frequência, caso contrário estaria nesse momento sujando as mãos com um pasquim qualquer.

Ah, mas existem os jornais eletrônicos. Não contam, mesmo porque seus olhos não suportariam horas de leitura pelo computador. Há também as distrações, outras páginas, e-mails para conferir e amigos piscando no MSN.

Ontem, ao passar por uma banca de revistas, vi a edição do dia de Zero Hora. Nos primeiros anos de faculdade, a professora chamou a atenção dos alunos: "vocês, como estudantes de Jornalismo, deveriam ler todos os dias jornal". Aí eu perguntei, "Zero Hora ou Correio do Povo?" Ela disse, os dois! Se um já era demais com tanta coisa para estudar, trabalhos para fazer, estágio para se estressar, não via como ler os dois. Agora ali na banca, criei vergonha na cara e comprei. E mais, li quase toda! Palmas para mim! Tentei ler a parte de Economia, mas como nos primeiros parágrafos minha mente começou a divagar por outros caminhos por não entender bulhufas daquilo, mudei de página.

Não perdi nada, só me injuriei. Na cara dura, o jornal bajula a governadora Yeda Crusius. Ela, que está quase sendo jogada para fora do governo por um escândalo de corrupção, é colocada como uma bonequinha frágil que se emocionou no discurso de uma senadora do Tocantins na Expointer, em Esteio-RS. Ah, me poupem! No canto da capa, o título, "Emoção Feminina, Yeda chora na Feira". Eu é que vou chorar de raiva!

Chego à conclusão do porquê de ficar tanto tempo sem ler os "grandes" jornais, como diz o governador daqui, Roberto Requião, os "jornalões" sempre vão mostrar a visão dos mais sujos.
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Atitude

10.8.09



Meu dentista uma vez perguntou para que curso eu ia prestar vestibular. Quando disse Jornalismo, ele de cara disse, "vai trabalhar na Globo!", como se aquilo fosse a melhor coisa do mundo. Estava com a boca aberta e os dentistas se aproveitam dessa situação para falarem besteiras sem podermos responder. No primeiro momento após cuspir, disse que a Globo era uma grande manipuladora e que jamais trabalharia lá. Ele disse, "você diz isso agora com 17 anos, quero ver quando tiver filhos para sustentar. Aí, você vai escolher quem pagar melhor". Como se entrar na toda poderosa fosse muito fácil.

Eu e um colega uma vez vimos um documentário sobre Glauber Rocha em que Arnaldo Jabor criticava a Rede Globo. Pouco tempo depois, soubemos que Jabor era o novo contratado da Globo. Combinamos de jogar qualquer coisa nele quando o víssemos pessoalmente. Encontrei-o uma vez no Aeroporto Salgado Filho, mas como não tinha nada em mãos e por estar meio longe, não pude atirar nada. Também deve-se levar em conta que tenha uma pontaria muito ruim. Reforcei ali para mim mesma não seguir os mesmos passos de Jabor.

Esse mesmo amigo ameaçou jogar o chinelo na televisão caso me visse na Globo. Não trabalho lá e pretendo nunca fazer isso. Ainda não tenho filhos, mas fui me acomodando. Por quanto podemos nos vender? Ter um apartamento em nosso nome, um carro, uma conta bancária recheada em troca de nossa ideologia? Não aconteceu isso porque "não me convidaram pra esta festa pobre".

O tempo foi passando, a idade avançando, o comodismo cutucando e de repente eu percebi que tenho o privilégio de me sentar em uma mesa ao lado de uma pessoa fiel às suas ideias sem se vender. Conversamos e lá aparecem os conceitos de tal pessoa brilhante que me faz repensar e voltar a ser aquela mesma cheia de vontades, com pensamentos contrários às opiniões dominantes. Sou a cada dia incentivada por minha colega que agora também possui um blog, e diga-se de passagem, um ótimo blog porque é de alguém que escreve muito bem: http://naoacreditoemhumanos.blogspot.com. Ela escreve aquilo que comentamos no dia-a-dia sobre essa nossa sociedade cheia de vícios e egoísta.

Ressurjo eu então com 17 anos, sentada na cadeira do dentista dizendo a ele, "está vendo? Não me vendi e não estou sozinha..."
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Ainda sobre os jornalistas

24.4.09
Um dia de paralisação de alguns funcionários da prefeitura de Curitiba mereceu o seguinte comentário em determinado telejornal da cidade: "greve atrapalha trânsito no centro da capital". Onde está a imparcialidade, um dos princípios básicos do Jornalismo? Usar o termo "atrapalhar" significa que os manifestantes estavam sendo inconvenientes e criaram obstáculo na circulação de automóveis nas ruas da cidade. Como se o trânsito caótico não fosse um problema constante que a própria prefeitura não consegue resolver.

O jornalista se vende por muito pouco, toma para si a visão do proprietário do veículo de comunicação. Deixa para trás toda sua ideologia por um emprego medíocre.

A lavagem cerebral começa nas faculdades, principalmente nas pagas. O problema dessas faculdades privadas, tão cultuadas pelos calouros ingênuos, é que já nos primeiros anos são ofertadas disciplinas práticas para manter seus clientes-alunos como pagantes. Dão a eles uma falsa ideia de que ali estão em um local bom porque já os prepara para o mercado de trabalho.

As parcerias de cursos de extensão entre universidades e emissoras de televisão, por exemplo, formam um campo de treinamento onde há seleção de mão-de-obra de empresas de comunicação. O currículo é montado para atender aos interesses dessas empresas privadas. Se nas universidades públicas o compromisso com o conhecimento e com a formação crítica quase não há, nas privadas são inexistentes. O que se vê na maioria das faculdades é a reprodução do pensamento dominante. Já a necessidade de transformação da sociedade na construção de algo novo é deixada de lado.

Os novos formados farão parte da mídia que consegue direitinho fazer todos pensarem como a elite mesmo não fazendo parte dela. É fácil perceber, basta ouvir os comentários de pessoas comuns que passam por uma passeata. "Só sabem reclamar", "Bando de vagabundos, não querem trabalhar". Não percebem que também são exploradas, que são muito mais próximas do que imaginam. A mídia em seu papel de representar a voz dos poderosos faz muito bem seu trabalho de manipulação. Faz o pobre pensar como o rico.
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Estou fora do ar

29.1.09



Finalmente livre! Desde o dia 19 de janeiro, minha televisão permanece desligada à noite. Sou noveleira, o que posso fazer? Desde minha infância sou louca pelas telenovelas. Sei lá, deve ser algum distúrbio neurológico. Após Retratos da vida, Paraíso tropical, Duas caras e A favorita, posso dormir sossegada! Por falar em favorita, minhas preferidas foram, A gata comeu, Que rei sou eu?, Roque Santeiro, Sassaricando e Cambalacho. Não foram exatamente do horário noturno, nem nessa ordem.

Explico o porquê de Caminho das Índias estar fora da minha rota. Adoro Glória Perez porque odeio suas novelas. Assim, fujo da tentação de acompanhar mais uma novela das oito. Está bem, vá lá, novela das nove, quase dez. As histórias da autora são sempre repetitivas, não que as dos outros autores não sejam, mas a repetição de Glória Perez ganha na chatice.

O amor impossível entre um homem apaixonado e uma mulher prometida a outro que nem ao menos a conhece. Cultura de outros povos, que por um milagre, nesses países falam o Português com perfeição. Panos, muitos tecidos e danças com as mãos. Já foi assim com os ciganos, os árabes e agora os indianos.

Só por alguns meses estarei longe do meu vício. Vamos torcer para que Benedito Rui Barbosa ainda esteja na ativa, esse é outro que me distancia da televisão.
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Nós, as marionetes

7.12.08


A pergunta que não quer calar, por que na semana passada William Bonner foi a Santa Catarina depois da enchente que desolou várias cidades? Para mostrar a gravidade da situação. Outra pergunta, por que então não deixar na mão dos profissionais catarinenses a veiculação dos fatos? Porque Bonner, ao deixar a bancada do Jornal Nacional e ir pessoalmente ao front, quis mostrar que não fica somente sentado editando e lendo as notícias de segunda a sexta.

Ao fazer isso, ele mostrou que os demais repórteres, no caso os jornalistas da RBS TV, afiliada da Rede Globo em Santa Catarina, não possuem competência para transmitirem as notícias. Ou porque achou que ele e não os demais passaria mais credibilidade. Se o acontecimento não é em São Paulo, São Paulo vai até o acontecimento.

Esta semana, a revista Veja publicou edição sobre os estragos em Santa Catarina. A capa já é uma demonstração de manipulação para emocionar. "A primeira vítima", diz a frase acompanhada da foto de uma menina de três anos. Ao choque de ver uma criança como "a primeira vítima", surge uma dúvida, como saber exatamente quem foi a primeira pessoa a morrer depois do temporal e dos deslizamentos de terra?

Os editores tanto da televisão, quanto da revista têm como objetivo manipular o que os brasileiros comentarão no dia seguinte. É como se eles colocassem o assunto na boca de cada um. A conversa de hoje será determinada por eles nos ônibus, nas ruas, nas casas e no trabalho. Quanto mais puderem sensibilizar, mais se falará sobre o assunto.

O caso de Santa Catarina foi apenas um exemplo. Obviamente será notícia enquanto o estado precisar de socorro. Mas, e o caso Isabela Nardoni em que fomos bombardeados por mais de um mês com matérias que não apresentavam novidades? Pense nisso cada vez que assistir aos telejornais ou ler revistas.
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Match Point para Rede Globo

26.11.08



Nas quartas-feiras quando eu, você, enfim, nós queríamos assistir aos jogos do Brasileirão, a Rede Globo transmitia partidas da Copa Sul-Americana. Pois bem, agora que estamos no primeiro jogo da final deste campeonato, eis que a Vênus não tão platinada assim resolve nos agraciar com o filme Match Point no Cinema Especial. Isso era de se esperar se um dos times não fosse um brasileiro, no caso, o Internacional.

Sim, é meu time e se fosse outro, exceto do eixo Rio-São Paulo, estaria também fazendo a defesa. Na música, como muitos dizem, "chato não era Raul Seixas e sim seus fãs", as pessoas acabam confundindo e odiando o compositor cada vez que alguém grita "toca Raul". Já no futebol, a mídia faz o mesmo quando só enfatiza os clubes paulistas e cariocas. Nada tenho contra os dois estados mais destacados do Sudeste, mas outras pessoas dos demais estados misturam as coisas e passam a detestar esses pólos e o povo de lá, como podemos observar nos comentários feitos por leitores do blog do Juca Kfouri.

O futebol é apenas um exemplo, já citado aqui. Certos acontecimentos que ocorrem no Rio de Janeiro ou em São Paulo viram notícia amplamente divulgada pela grande imprensa. Se algum fato semelhante desponta no "interior" do Brasil, é como se não tivesse acontecido. É só observar a música Notícias do Brasil de Milton Nascimento e Fernando Brant e perceber, a mídia não mudou em nada e "ficar de frente para o mar, de costas para o Brasil, não vai fazer desse lugar um bom país".

Em tempo, Band transmitirá hoje, às 22 horas o jogo Estudiantes e Internacional.

Notícias do Brasil (Os pássaros trazem)
Milton Nascimento e Fernando Brant

Uma notícia está chegando lá do Maranhão
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Veio no vento que soprava lá no litoral
De Fortaleza, de Recife e de Natal

A boa nova foi ouvida em Belém, Manaus,
João Pessoa, Teresina e Aracaju
E lá do norte foi descendo pro Brasil central
Chegou em Minas, já bateu bem lá no sul

Aqui vive um povo que merece mais respeito,
sabe?
E belo é o povo como é belo todo amor
Aqui vive um povo que é mar e que é rio
E seu destino é um dia se juntar

O canto mais belo será sempre mais sincero,
sabe?
E tudo quanto é belo será sempre de espantar
Aqui vive um povo que cultiva a qualidade
Ser mais sábio que quem o quer governar

A novidade é que o Brasil não é só litoral
É muito mais, é muito mais que qualquer zona sul

Tem gente boa espalhada por esse Brasil
Que vai fazer desse lugar um bom país
Uma notícia está chegando lá do interior
Não deu no rádio, no jornal ou na televisão
Ficar de frente para o mar, de costas para o Brasil
Não vai fazer desse lugar um bom país
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Incompreensão

22.6.08

Salve você, pobre telespectador, que não possui closed caption em seu televisor da péssima dicção de Pedro Cardoso. Proteja você, cabeça jovem, das vinhetas sem sentido da MTV. Cuide você, sonhador distraído, da surpresa incompatibilidade da baixa intensidade da buzina do ônibus e de seu real tamanho.

É noite, passa A Grande Família. Bebel, Dona Nenê, Tuco, Lineu e companhia só respondem às baboseiras que Agostinho fala por estarem apoiados pelo roteiro. Da fala de Pedro Cardoso, principalmente quando seu personagem está afobado, o que se escuta é gjsndclei nigcansdid jaferdoa. Entendeu? Coloque legenda. Todas as quintas-feiras são iguais, acionam-se os closed caption pelos lares brasileiros.

Você não possui esse recurso? Então mude de canal para a MTV. Observe que a emissora faz campanhas contra as drogas mostrando os efeitos nocivos de seu uso. Porém, ela mesma produz vinhetas parecidas com alucinações causadas por LSD. Quando essas coisas aparecerem na tela, desvie o olhar. Vai saber se você conseguirá sair dessa viagem depois. Na dúvida, vire a cabeça para o outro lado.

Se achar melhor, dê uma espairecida, passeie pela cidade. Observe o trem passar. O aviso é feito com muito barulho. Já os ônibus possuem uma buzina fraca comparável às motocicletas. O atropelamento causado por ambos é bem diferente. As buzinas também deveriam ser. Você está andando pela rua vendo o trem e ouve uma buzininha, olha para o lado imaginando uma moto e se depara com um trambolhão... Tarde demais. Internado no hospital, entupido de tanto analgésico, não sentirá dor, mas falará mais enrolado que Pedro Cardoso. Começará a ver enfermeiras e médicos voando, seringas andando. Para completar, caíra do céu um gigante M, assim como as propagandas da MTV.
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A gente se vê por aqui

13.1.08

Pode alguém viver sem a Vênus Platinada? Minha prima do Rio vai mandar fazer uma tatuagem: "porra, eu não tenho Globo". Mesmo morando na mesma cidade do Projac, a emissora não pega em sua televisão.

Todos os dias responde sempre a mesma coisa para diversas perguntas:

– Viu que o Juvenal Antena não morreu?
– Não tenho Globo.
– Você entendeu aquela notícia no Jornal Nacional?
– Ai, não tenho Globo.
– Aquele barbudo do Big Brother é um mala, né?
– Puta merda, não tenho Globo!

A idéia da tatuagem é boa, alguém comenta o Fantástico e ela só levanta a manga da camiseta: "Não tenho Globo e sou muito feliz por isso". Prima, que inveja eu tenho, sério mesmo. A vida é tão boa sem ter de ver Marília Gabriela com aquela voz de travesti não tendo pretensão de ser boa atriz e sim um rostinho bonito. Ah, vá se catar, nunca foi bonita, tribufu! Plásticas não adiantam. Por falar em recalchutar, Pitanguy deveria fazer uma plástica no cérebro do Reynaldo Gianecchini. Onde já se viu comer (peguei pesado?) aquela coisa durante anos?
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William Homer

29.11.07
Foi-se o tempo em que o âncora do jornal era um simples apresentador. No Brasil, a pioneira não foi a Rede Globo, mas mesmo assim, atualmente o jornal de sua emissora é o mais visto nos lares brasileiros, o Jornal Nacional. William Bonner não fica apenas sentado em frente ao teleprompter lendo as notícias. Ele é também o editor-chefe do telejornal e decide o que vai o que não vai ao ar. Ou seja, o jornalista só mostra os interesses dos detentores do poder e da empresa onde trabalha, como se ele próprio fizesse parte disso, mas não faz. Ele veste tão bem a camisa da Rede Globo, que na morte de Roberto Marinho, chorou ao ler ao vivo a carta escrita pelos filhos do falecido. Existem alguns jornalistas defensores da idéia de interpretar a notícia e outros de opinar sobre ela. William Bonner misturou as duas, e entendeu que interpretar era representar e não se fazer entender. Assim como um ator, Bonner interpreta o que lê. Faz gestos, sorri, fala ironicamente e dá entonação de voz diferente a cada assunto. Ao representar como um artista, acaba opinando e influenciando alguns telespectadores. Em 2005, deu uma declaração infeliz ao comparar o espectador de seu telejornal com o personagem Homer Simpson. Mas ele está mais para Homer do que nós, porque quem se curva perante os desejos do patrão é ele.

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