Ainda sobre os jornalistas

24.4.09
Um dia de paralisação de alguns funcionários da prefeitura de Curitiba mereceu o seguinte comentário em determinado telejornal da cidade: "greve atrapalha trânsito no centro da capital". Onde está a imparcialidade, um dos princípios básicos do Jornalismo? Usar o termo "atrapalhar" significa que os manifestantes estavam sendo inconvenientes e criaram obstáculo na circulação de automóveis nas ruas da cidade. Como se o trânsito caótico não fosse um problema constante que a própria prefeitura não consegue resolver.

O jornalista se vende por muito pouco, toma para si a visão do proprietário do veículo de comunicação. Deixa para trás toda sua ideologia por um emprego medíocre.

A lavagem cerebral começa nas faculdades, principalmente nas pagas. O problema dessas faculdades privadas, tão cultuadas pelos calouros ingênuos, é que já nos primeiros anos são ofertadas disciplinas práticas para manter seus clientes-alunos como pagantes. Dão a eles uma falsa ideia de que ali estão em um local bom porque já os prepara para o mercado de trabalho.

As parcerias de cursos de extensão entre universidades e emissoras de televisão, por exemplo, formam um campo de treinamento onde há seleção de mão-de-obra de empresas de comunicação. O currículo é montado para atender aos interesses dessas empresas privadas. Se nas universidades públicas o compromisso com o conhecimento e com a formação crítica quase não há, nas privadas são inexistentes. O que se vê na maioria das faculdades é a reprodução do pensamento dominante. Já a necessidade de transformação da sociedade na construção de algo novo é deixada de lado.

Os novos formados farão parte da mídia que consegue direitinho fazer todos pensarem como a elite mesmo não fazendo parte dela. É fácil perceber, basta ouvir os comentários de pessoas comuns que passam por uma passeata. "Só sabem reclamar", "Bando de vagabundos, não querem trabalhar". Não percebem que também são exploradas, que são muito mais próximas do que imaginam. A mídia em seu papel de representar a voz dos poderosos faz muito bem seu trabalho de manipulação. Faz o pobre pensar como o rico.
Leia mais ...

Déjà vu

19.4.09
04 de maio de 2008: 8 X 1

19 de abril de 2009: 8 X 1
Leia mais ...

Dia do jornalista

7.4.09



O nome do curso escrito no livrinho de disciplinas ofertadas pela faculdade. Somente os aprovados o receberam. Uma das 40 vagas era minha. Via televisão, lia revista, participava de uma conversa, mas não prestava atenção em nada. A cabeça ia longe. Quando meu devaneio parecia irreal, olhava de novo para o livrinho para me certificar, não era um sonho. Fitava admirada a capa, lá estava a palavra: Jornalismo.

Não era só eu quem ficava maravilhada com a profissão, todos olhavam com orgulho quando respondia o que ia tentar no vestibular. Jornalismo era um fascínio, ainda mais em minha cidade onde apenas PUC e Federal possuíam o curso.

Havia um romantismo na profissão. Hoje é tudo diferente, os recém-formados procuram outras profissões porque o ex-ministro Paulo Renato Souza, do governo Fernando Henrique Cardoso, autorizou o funcionamento de vários cursos de Comunicação, em um mercado de trabalho defasado. Nos ônibus e nas ruas passou a ser vulgar alguém carregar uma bolsa ou mochila com o nome do curso.

Onze anos depois de minha entrada para a universidade, há pelo menos dez novos cursos de Jornalismo em Curitiba e sabe se lá se neste exato momento em algum bairro não está sendo criada uma nova faculdade com o curso. Além das duas já citadas, possuem o curso, Tuiuti, com autorização em 1997 e 200 vagas anuais, Opet e Essei desde 2000, Unibrasil (2001, 150 vagas), Uniandrade (2003, 100 vagas), Facinter (2006), Unicenp e UniCuritiba (2009).

Enquanto milhares de formados procuram em vão um lugar ao sol, Paulo Renato Souza está tranquilamente sentado em sua cadeira no Congresso em Brasília. O criador do Provão e do ENEM ainda dita regras juntamente com seus 513 colegas na Câmara dos Deputados.
Leia mais ...

"E a galera no Beira-Rio"

4.4.09



A primeira lembrança de uma conquista de campeonato foi em 1992. Eu era uma criança de prédio, então eu brincava com os vizinhos no próprio edifício. Era um domingo qualquer. Por mais maravilhoso que fosse o dia, a expectativa de segunda-feira com aulas pela manhã nunca era agradável.

Voltei para casa para terminar a tarefa do colégio, mas como o dever era sempre deixado para a última hora, liguei a televisão e vi o escudo do Inter piscando com as letras: "Campeão da Copa do Brasil". Naquela época eu ainda era uma pessoa normal, não dava muita atenção para o futebol.

Cinco anos depois, já apaixonada pelo Inter, vi meu time ir bem no Campeonato Brasileiro com direito a vencer seu maior adversário em uma partida histórica por 5 a 2, além de alguns meses antes ter conquistado o Gauchão em cima do mesmo clube. Mas, a alegria não durou muito e nas últimas partidas, o Colorado foi ficando para trás. Foi uma decepção. Nos anos seguintes, o time nem chegava perto do que havia sido naquele ano.

Em 2005, quando íamos colocar finalmente a mão na taça, houve aquele incidente que prefiro não comentar hoje por ser um dia de festa.

Em 16 de agosto de 2006, vi meu time ser campeão em cima do São Paulo na Libertadores. Lembro-me de estar entrando no supermercado (sim Lili, no Valmarte) e ter pensado, "este ano o Inter poderá ser campeão do mundo", algo que antes parecia distante para um time que nadava e morria na praia. Em um milésimo de segundo tive esperanças, sim, era possível. Aquele pequeníssimo momento logo deu lugar ao medo. A expectativa era boa e não queria que o dia da decisão, novamente em um domingo, chegasse. E se o Inter perdesse? Era melhor então congelar o dia anterior. Parar no tempo, deixar 16 de dezembro de 2006 para sempre se repetindo como no filme Feitiço do tempo.

Acordei no dia seguinte sem nenhum dia da marmota para comemorar. O dia 16 não havia se repetido. No dia do aniversário de Erico Verissimo, gremista, o Inter não seria campeão, pensava eu. Mas sempre havia uma pequena esperança, e eu ficava imaginando ver novamente o escudo do Inter piscando e desta vez escrito: "Campeão do Mundo".

Adriano Gabiru marcou um gol para o Inter no segundo tempo. O Barcelona começou a atacar mais. Ronaldinho Gaúcho, ex-gremista, ia cobrar uma falta e Galvão Bueno gritava: "agora é grenal, agora é grenal"! A bola, para meu alívio, não entrou e vi uma careta se esboçar no rosto de Ronaldinho. E nada mais para eles. O Inter ganhou o mundo.

Poderia falar de outras conquistas como a Sul Americana ou a Copa Dubai ou a Tríplice Coroa, mas eu iria me estender muito. Para finalizar, Internacional de Porto Alegre, o único campeão de tudo, hoje completa 100 (cem) anos de história.
Leia mais ...