Um dia de paralisação de alguns funcionários da prefeitura de Curitiba mereceu o seguinte comentário em determinado telejornal da cidade: "greve atrapalha trânsito no centro da capital". Onde está a imparcialidade, um dos princípios básicos do Jornalismo? Usar o termo "atrapalhar" significa que os manifestantes estavam sendo inconvenientes e criaram obstáculo na circulação de automóveis nas ruas da cidade. Como se o trânsito caótico não fosse um problema constante que a própria prefeitura não consegue resolver.
O jornalista se vende por muito pouco, toma para si a visão do proprietário do veículo de comunicação. Deixa para trás toda sua ideologia por um emprego medíocre.
A lavagem cerebral começa nas faculdades, principalmente nas pagas. O problema dessas faculdades privadas, tão cultuadas pelos calouros ingênuos, é que já nos primeiros anos são ofertadas disciplinas práticas para manter seus clientes-alunos como pagantes. Dão a eles uma falsa ideia de que ali estão em um local bom porque já os prepara para o mercado de trabalho.
As parcerias de cursos de extensão entre universidades e emissoras de televisão, por exemplo, formam um campo de treinamento onde há seleção de mão-de-obra de empresas de comunicação. O currículo é montado para atender aos interesses dessas empresas privadas. Se nas universidades públicas o compromisso com o conhecimento e com a formação crítica quase não há, nas privadas são inexistentes. O que se vê na maioria das faculdades é a reprodução do pensamento dominante. Já a necessidade de transformação da sociedade na construção de algo novo é deixada de lado.
Os novos formados farão parte da mídia que consegue direitinho fazer todos pensarem como a elite mesmo não fazendo parte dela. É fácil perceber, basta ouvir os comentários de pessoas comuns que passam por uma passeata. "Só sabem reclamar", "Bando de vagabundos, não querem trabalhar". Não percebem que também são exploradas, que são muito mais próximas do que imaginam. A mídia em seu papel de representar a voz dos poderosos faz muito bem seu trabalho de manipulação. Faz o pobre pensar como o rico.
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O jornalista se vende por muito pouco, toma para si a visão do proprietário do veículo de comunicação. Deixa para trás toda sua ideologia por um emprego medíocre.
A lavagem cerebral começa nas faculdades, principalmente nas pagas. O problema dessas faculdades privadas, tão cultuadas pelos calouros ingênuos, é que já nos primeiros anos são ofertadas disciplinas práticas para manter seus clientes-alunos como pagantes. Dão a eles uma falsa ideia de que ali estão em um local bom porque já os prepara para o mercado de trabalho.
As parcerias de cursos de extensão entre universidades e emissoras de televisão, por exemplo, formam um campo de treinamento onde há seleção de mão-de-obra de empresas de comunicação. O currículo é montado para atender aos interesses dessas empresas privadas. Se nas universidades públicas o compromisso com o conhecimento e com a formação crítica quase não há, nas privadas são inexistentes. O que se vê na maioria das faculdades é a reprodução do pensamento dominante. Já a necessidade de transformação da sociedade na construção de algo novo é deixada de lado.
Os novos formados farão parte da mídia que consegue direitinho fazer todos pensarem como a elite mesmo não fazendo parte dela. É fácil perceber, basta ouvir os comentários de pessoas comuns que passam por uma passeata. "Só sabem reclamar", "Bando de vagabundos, não querem trabalhar". Não percebem que também são exploradas, que são muito mais próximas do que imaginam. A mídia em seu papel de representar a voz dos poderosos faz muito bem seu trabalho de manipulação. Faz o pobre pensar como o rico.

