Coincidências e epifanias

24.7.09


"A palma aberta da mão direita se voltava para baixo, como se abençoasse o Sol que partia para o Oriente. Além de anjo, bailarino. E tinha asas, imensas, duplas, quádruplas, múltiplas, espalhadas em várias cores atrás dos cabelos longos. Estava lá parada no céu, a nuvem-anjo, abençoando o Sol, o rio, o céu sobre nossas cabeças, a cidade longe". Caio Fernando Abreu

Cheguei à redação onde meu ex-professor trabalha. Como ele não estava, deixei com a recepcionista um livro de presente a José Carlos, porque lá, ninguém o conhece como Zeca.

O livro, Pequenas Epifanias, do já falecido escritor Caio Fernando Abreu, estava comigo para ser entregue a Zeca há mais de um ano. Trabalho a poucas quadras de seu jornal e sempre adiava a visita ou esquecia. Anteontem, apesar de eu estar de férias, fiz questão de levar o presente.

Epifania significa manifestação de Deus na Terra, ou seja, o título do livro sugere pequena revelação de uma divindade sob uma forma terrena. Há uma crônica em que o escritor descreve uma história real. Estava acompanhado de uma amiga, vendo o pôr-do-sol, quando observou uma nuvem em forma de anjo. Era no céu de Porto Alegre. Enquanto a noite ia se aproximando, as demais nuvens se dissipavam, mas o anjo continuava na sua forma. Nas águas do Rio Guaíba, um arcanjo se refletia.

No primeiro ano em que tive aula com Zeca, ele citou Caio Fernando Abreu. Emprestei o exemplar de minha mãe a ele e como não teve tempo de ler as crônicas, me devolveu o livro. Desde então, eu ia a livrarias na esperança de terem reeditado Pequenas Epifanias, já que se tratava de edição esgotada. Até que, enfim, sem maiores esperanças, minha mãe conseguiu encontrar um volume perdido, escondido em alguma livraria da cidade, esperando o seu verdadeiro dono.

Poucos minutos depois de deixar o presente na recepção, recebi uma ligação em meu celular. Era Zeca, feliz pela surpresa. Contou-me então que entrevistou Caio Fernando pouco antes de sua morte e que é também admirador de sua obra. Zeca disse ter sido uma feliz coincidência ter ganho o livro, pois na Folha de São Paulo deste sábado foi publicada uma grande matéria sobre Caio Fernando Abreu. Eu não vi a Folha de sábado. Zeca diz ter sido coincidência. Algo me sugere não ter sido apenas isso...

2 comentários:

Camila disse...

que pena q é um livro q não existe mais nas livrarias, aqui em Erechim então, não deve ter mesmo.
mas eu adoraria le-lo.

beijao

Beatriz disse...

Gosto muito das coisas do Caio Fernando. Aliás, ultimamente a maioria das coisas que tenho colocado no meu about do Orkut são dele. Falando em coincidência, lembrei que por acaso nesta mesma semana fui dar uma geral na geladeira, e peguei em um pote escondido 3 morangos mofados, e lembrei do livro do Caio. Peguei o tal, e li na Biografia que nesta época, "morava sozinho em Sampa com a gata Zelda". E pensei que quem mora com um gato não mora sozinho, ora bolas! rs

Escreva mais, prima! Beijos!!