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Aos colegas da 1ª série H (1986)

3.2.08
Encontrei inspiração no blog de José Vitor, Sinopse Inacabada, ao ler o post sobre supermercado do dia 03 de fevereiro (dia de hoje para quem for lá hoje). Viajei no tempo e fui encontrar uma menina bobinha, eu! Em uma determinada aula, na primeira série do primário, a professora perguntou a todos os alunos qual era o dia preferido da semana e o motivo. Eu, como já disse, ingênua, disse que era sábado porque nesse dia a família ia ao supermercado. Era divertido, meu pai deixava eu escolher as guloseimas de que eu mais gostava. É certo que muitas vezes ele comia alguns salgadinhos e chocolates meus.

Passei vexame, metade da sala me achou maluca, a outra metade riu sem parar me achando idiota. Mas não era só isso, eu e meus irmãos brincávamos pelos corredores com os carrinhos quando o supermercado não estava muito cheio. Meu irmão mais velho sempre teve o cuidado de não esbarrar em ninguém. Depois, todos nós nos reuníamos para comer as besteiras em frente à televisão. Programa de índio? Não concordo, para mim era gostoso e me lembro com carinho dessa época. Por ser do primeiro casamento do meu pai, meu irmão mais velho morava com sua mãe. Nos finais de semana ele passava conosco e era ótimo porque ele sempre teve paciência comigo e com meu outro irmão, além de ser muito criativo nas brincadeiras.

Eu não tive cabeça na época para pensar em tudo isso e explicar aos meus amiguinhos de sala. Não era bem o supermercado e sim tudo o que acompanhava o sábado. Sorte a minha não ser filha única. Tinha muitos amigos no prédio onde morava e ainda irmãos para brincarem e brigarem. O sábado ficava mais completo quando aparecia minha quase irmã. Ela é irmã de meu meio-irmão, do segundo casamento da mãe deles. Isso os meus colegas de escola também não entendiam e eu adorava confundi-los. Mas isso é uma outra história que ficará para outro post.

Deixo aqui registrado que continuo gostando de ir ao supermercado e ainda como salgadinho. Ah, Doritos, Fandangos, Cheetos, Ruffles e Pingo d'Ouro com Coca-Cola com um bom filme. Meus ex-colegas devem fazer isso também, mas nenhum deles se lembra da minha história.
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O colégio onde nunca estudei

28.1.08
Ontem, domingo frio e de chuva (agora deu para fazer inverno em Curitiba) fui fazer uma prova sei lá para qual cargo em um concurso. O local era o colégio em que minha mãe lecionou durante muitos anos. Entrei e achei tudo pequeno. Avistei uma escada que um dia, assim como o de ontem, chuvoso e frio, um gatinho preto e branco molhado caminhava entre os estudantes. Tive vontade de levá-lo para casa.

Várias vezes acompanhei minha mãe a esse colégio quando era criança. Assistia a suas aulas de Biologia sem saber ainda o que eram os tais genes. Achava seus alunos adultos, mas a maioria tinha entre 15 e 18 anos. Poucos tinham mais de vinte anos. Eles me chamavam de professorinha e eu ficava encabulada. Depois me soltava e bastava a mãe-professora sair da sala para eu me juntar a eles na bagunça. Certa vez, vi um aluno colar na prova, mas não falei para minha mãe.

Muita coxinha comi na cantina da escola, muita sopa tomei com os professores e muitos desenhos malfeitos fiz no quadro negro. Uma vez, quando minha mãe se ausentou da sala por uns instantes, fiz desenhos obscenos, influenciada pela turma do fundão. Não havia percebido que naquela turma, havia uma freira. Lógico que ela reclamou para minha mãe que me deu um sermão.

Ir para o meu colégio era um tormento. Ficar sentada na sala de aula sem poder me mexer muito para a professora não chamar a atenção ou fazer o tal "soninho" quando terminava a tarefa eram angustiantes. Mas acompanhar minha mãe com seus divertidos alunos era o máximo. Ontem, antes de iniciar a prova, pude relembrar um pouco esses momentos sentada nas cadeiras que foram ocupadas por esses meus amigos mais velhos.
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