Bodas de ouro

30.12.08



Cinqüenta anos de casamento. Ainda tenho dois dias para usar tremas. Minha tia, irmã de meu pai, Maria Inês e meu padrinho, José Leonardo hoje comemoram as bodas de ouro. Meu tio sempre encantou as crianças com seu jeito sereno. Fazia qualquer criança manhosa parar com a choradeira com um simples colo. Eu fui um exemplo de criança dengosa e me acalmava com ele. E olha que ele é magrinho, nada de colo fofinho não.

Minha tia é uma dessas mulheres fortes e inteligentes. Nunca a vi chorar, nem mesmo quando faleceu sua irmã mais velha no ano passado. "Sentimos que nunca acaba de caber mais dor no coração, mas não choramos à toa" cabe como uma luva para sua personalidade.

Hoje haverá missa e almoço para comemorar esses muitos anos de vida juntos. Escrevo não por causa das bodas ou da comemoração, mas do que havia no convite, além de uma belíssima foto do casal, o pedido de presentes: "aceitamos cobertores e/ou jogos de lençóis (solteiros), que doaremos a instituições de caridade".

A solidariedade, um gesto simples e grandioso, afinal, como disse minha tia, "já temos o suficiente". Muitas vezes damos presentes caros para quem tem mais dinheiro e coisas bobas para os menos abastados. Para quê? Para mostrarmos ostentação aos mais endinheirados e indiferença aos mais pobres? Por isso, Maria Inês e José Leonardo são exemplos a serem seguidos.
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Amizade desde sempre

23.12.08



Você já carregou um amigo no colo? Não é nada de auto-ajuda, é no sentido literal mesmo. Eu sou fraca, meus amigos são muito pesados para mim. Mas, quando se tem sete anos e a amiga tem alguns meses de vida, fica fácil.

Aline é afilhada de meus pais. Ela, sua mãe e sua irmã moraram um tempo conosco. No dia em que nasceu, recordo-me como se fosse hoje, eu no quarto brincava escrevendo em um pequeno quadro com giz e sua mãe se aproximou no corredor e me chamou. Percebi pela voz que algo de errado aconteceu. A bolsa havia estourado. Não sabia o que fazer, tinha apenas sete anos e estávamos só nós duas em casa. Felizmente deu tudo certo. Depois de seu nascimento, eu entrava em casa e sentia o cheiro de perfume de bebê. Na escola, eu dizia que tinha uma irmã mais nova, afinal de contas, só tenho irmãos.

Depois de um certo tempo, elas se mudaram, mas Aline continuou indo lá em casa. Fomos crescendo, veio a adolescência e as visitas começaram a ficar mais escassas, até que perdemos o contato. Mas, graças ao Orkut, nos reencontramos.

Batemos um papo cheio de lembranças boas e principalmente de novidades. Disse que torce para o Atlético por influência do meu irmão, coitada! Nem lembrava mais que minha Caloi Ceci eu havia dado a ela. E o Banco Imobiliário, que tenho até hoje, ela disse que adorava jogar. Essas coisas já haviam sido apagadas de minha memória.

Sempre eu e minha família nos recordamos de momentos importantes e engraçados envolvendo minha "irmã caçula". Quando tinha uns dois anos, cada vez que Aline via a foto do ex-ministro da Fazenda, Dilson Funaro, na revista Veja, abria o berreiro. Acho que não concordava com os planos econômicos desastrosos da década de 80 e sua maneira de expressar era chorando, assim como muitos brasileiros na época.

Seus primeiros passos foram estimulados com o gibi da Turma da Mônica estendido em sua frente para que pudesse alcançá-lo. Deu certo, caminhava um pouco, caía de bunda no chão, sorria e batia palma. A queda era amortecida pelas fraldas. Já tem um filho, Alysson, e hoje quem troca fraldas é ela.
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Bons modos

14.12.08



Certas coisas merecem ser feitas entre quatro paredes, de preferência de azulejos. Errou quem pensou em sexo, eita povo que só tem isso na cabeça. Refiro-me a higienização, como por exemplo, a escovação dos dentes. Restos de comida que insistem em ficar presas entre os molares necessitam de uma ajuda extra, somente a escova não vai adiantar.

Alguns possuem hábitos estranhos, como palitar os dentes em público na mesa do restaurante. Mas outros, e não sei qual é o pior, passam fio dental no local de trabalho na frente dos colegas. E ainda fazem aquele barulhinho asqueroso de se ouvir, o tal palito de pressão. O banheiro é logo ali, companheiro, que tal fazer isso em frente ao espelho, longe dos demais?

Cortar as unhas também está desaprovado no serviço. A coisa piora se as unhas forem as dos pés. Sim, acredite, já presenciei essas duas infâmias na mesma semana feitas por dois distintos cavalheiros (será?). Um usou fio dental ao meu lado e o outro aparou as unhas após um longo dia de trabalho, ou seja, nojento ao extremo. Descalçou os sapatos e utilizou os tais cortadores que não dão a mínima precisão de onde vão parar os pedaços retalhados. É comparável aos elétrons, nunca sabemos onde estão, somente a probabilidade máxima, nos orbitais.

Os lugares prováveis para os fragmentos de unha são qualquer local da sala, no chão, em cima do computador, no lustre, na maçaneta da porta, na cabeça do chefe, mas nunca na lixeira. Os restos de alimento também podem escapulir do fio dental e saltar em outra região. Melhor parar, daqui a pouco é meu estômago que vai pular da boca e parar em outro lugar.
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Nós, as marionetes

7.12.08


A pergunta que não quer calar, por que na semana passada William Bonner foi a Santa Catarina depois da enchente que desolou várias cidades? Para mostrar a gravidade da situação. Outra pergunta, por que então não deixar na mão dos profissionais catarinenses a veiculação dos fatos? Porque Bonner, ao deixar a bancada do Jornal Nacional e ir pessoalmente ao front, quis mostrar que não fica somente sentado editando e lendo as notícias de segunda a sexta.

Ao fazer isso, ele mostrou que os demais repórteres, no caso os jornalistas da RBS TV, afiliada da Rede Globo em Santa Catarina, não possuem competência para transmitirem as notícias. Ou porque achou que ele e não os demais passaria mais credibilidade. Se o acontecimento não é em São Paulo, São Paulo vai até o acontecimento.

Esta semana, a revista Veja publicou edição sobre os estragos em Santa Catarina. A capa já é uma demonstração de manipulação para emocionar. "A primeira vítima", diz a frase acompanhada da foto de uma menina de três anos. Ao choque de ver uma criança como "a primeira vítima", surge uma dúvida, como saber exatamente quem foi a primeira pessoa a morrer depois do temporal e dos deslizamentos de terra?

Os editores tanto da televisão, quanto da revista têm como objetivo manipular o que os brasileiros comentarão no dia seguinte. É como se eles colocassem o assunto na boca de cada um. A conversa de hoje será determinada por eles nos ônibus, nas ruas, nas casas e no trabalho. Quanto mais puderem sensibilizar, mais se falará sobre o assunto.

O caso de Santa Catarina foi apenas um exemplo. Obviamente será notícia enquanto o estado precisar de socorro. Mas, e o caso Isabela Nardoni em que fomos bombardeados por mais de um mês com matérias que não apresentavam novidades? Pense nisso cada vez que assistir aos telejornais ou ler revistas.
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