Aconteceu em Curitiba

30.6.08


Estava eu com receio de chegar atrasada ao trabalho quando peguei o ônibus da linha Curitiba/Maracanã. Ainda em período de experiência, já estava conformada em passar o cartão alguns minutos depois do horário normal.

As coisas começaram a mudar quando o ônibus entrou na rua Manoel Pedro. Ali, o motorista freiou bruscamente falando para o outro passar “com a carreta por cima”. Acontece que o desentendimento não era, como inicialmente imaginei, com o dono de um automóvel e sim com seu colega da linha Curitiba/Conjunto Atuba, da mesma empresa.

Cada qual agarrado ao seu volante, discutiam para ver com quem estava a razão. No sinal fechado, só escutava o que meu condutor falava: “claro que não, eu estava na faixa certa, você que me fechou”. Ambos partiram e a briga se tornou uma furiosa corrida de duas caixas gigantes amarelas.

Viraram na Campos Sales, um ao lado do outro. Meu motorista dizia para o cobrador, “olha como ele estava errado, ele nem consegue se manter em linha reta”. E corria. Quando um precisava parar para pegar algum passageiro, o outro buzinava por ter passado à sua frente. É certo que era uma buzina fraca de ônibus, mas havia sempre a provocação. Ninguém se atrevia a apertar a campainha para saltar no ponto certo. Quem teria a garantia de que o motorista na pressa de vencer a corrida, não iria prender na porta a cabeça do infeliz que ousasse estragar sua estratégia?

Ônibus colado um no outro, retrovisores quase se enroscando. Obviamente torcia para o meu, ainda na esperança de chegar a tempo. Entramos na Barão de Antonina e o outro motorista ficou um pouco para trás, embolado com outros carros.

Já na Tibagi, Curitiba/Conjunto Atuba parou no sinaleiro. Vencemos! E ainda pude apertar a campainha para descer no ponto certo sem medo de deixar uma perna presa na porta. No fim das contas, cheguei alguns minutos antes no trabalho. Que Atletiba, que nada, emocionante mesmo foi a corrida Curitiba/Maracanã versus Curitiba/Conjunto Atuba.
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Incompreensão

22.6.08

Salve você, pobre telespectador, que não possui closed caption em seu televisor da péssima dicção de Pedro Cardoso. Proteja você, cabeça jovem, das vinhetas sem sentido da MTV. Cuide você, sonhador distraído, da surpresa incompatibilidade da baixa intensidade da buzina do ônibus e de seu real tamanho.

É noite, passa A Grande Família. Bebel, Dona Nenê, Tuco, Lineu e companhia só respondem às baboseiras que Agostinho fala por estarem apoiados pelo roteiro. Da fala de Pedro Cardoso, principalmente quando seu personagem está afobado, o que se escuta é gjsndclei nigcansdid jaferdoa. Entendeu? Coloque legenda. Todas as quintas-feiras são iguais, acionam-se os closed caption pelos lares brasileiros.

Você não possui esse recurso? Então mude de canal para a MTV. Observe que a emissora faz campanhas contra as drogas mostrando os efeitos nocivos de seu uso. Porém, ela mesma produz vinhetas parecidas com alucinações causadas por LSD. Quando essas coisas aparecerem na tela, desvie o olhar. Vai saber se você conseguirá sair dessa viagem depois. Na dúvida, vire a cabeça para o outro lado.

Se achar melhor, dê uma espairecida, passeie pela cidade. Observe o trem passar. O aviso é feito com muito barulho. Já os ônibus possuem uma buzina fraca comparável às motocicletas. O atropelamento causado por ambos é bem diferente. As buzinas também deveriam ser. Você está andando pela rua vendo o trem e ouve uma buzininha, olha para o lado imaginando uma moto e se depara com um trambolhão... Tarde demais. Internado no hospital, entupido de tanto analgésico, não sentirá dor, mas falará mais enrolado que Pedro Cardoso. Começará a ver enfermeiras e médicos voando, seringas andando. Para completar, caíra do céu um gigante M, assim como as propagandas da MTV.
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