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Elis Regina, filha de Ercy

17.3.08
Elis Regina foi professora em Porto Alegre e desconheceu a fama. Nunca foi amiga de Milton Nascimento ou Rita Lee. Jamais gravou Chico Buarque e João Bosco. Não se casou com Ronaldo Bôscoli nem com César Camargo Mariano. Ninguém soube que possuía um timbre maravilhoso porque não cantou em público.

Isso seria verdade se Elis não tivesse partido para o Rio e depois para São Paulo. Sair atualmente de Porto Alegre e tentar a vida artística no sudeste é muito mais fácil do que há 44 anos. A autorização de Ercy e Romeu Costa, pais da cantora, para que pudesse cantar no programa Clube do Guri na Rádio Farroupilha foi importante. O apoio dado por eles e pelo irmão Rogério foi fundamental porque o primeiro passo dado para o sucesso deu-se nesta rádio. Não fosse isso, Elis teria virado professora, sua segunda opção. O Brasil não teria conhecido a melhor voz que o país teve. João Marcello, Pedro e Maria Rita também não seriam conhecidos.

Elis morreu no auge e deixou seus fãs querendo mais. Hoje, estaria completando 63 anos. Mas, Elis nada seria se não fosse sua família. É por isso que cito sua mãe, Ercy, que atualmente mora em São Paulo. Essa mulher forte perdeu os dois únicos filhos e o marido, mas sempre quando pode, comparece aos shows dos netos. Ela não deixou de viver mesmo com tantas perdas.
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Meus es

18.1.08


Estou cercada por ela. Todos começaram do mesmo jeito. Meu namorado, meu pai, meu irmão, meu avô, minha avó, até minha mãe tentou fugir, mas não deu certo, o cartório errou. Ou acertou? Eugenio, três vezes Elias, Ema e Elena. Todos com a letra e no início. Eu consegui escapar.

Começo de ano vem com planos, lista das futuras realizações para os 365 dias. O meu começa sem isso. Dois mil e sete veio com Elis Regina, numa ânsia de ouvir todas as canções que ainda não conhecia em sua voz. Paixão avassaladora, li em um único dia Furacão Elis, fiz meus vizinhos baterem a cabeça de raiva. Já não suportavam mais a voz da Pimentinha. Foi assim o ano inteiro, sem maiores planejamentos.

Quando o ano findava, eis que novamente ressurge outro e, Erico Verissimo. Resolvi reler as obras já lidas. Assim, as páginas foram me consumindo. Passei a freqüentar a biblioteca. Chegava lá de madrugada, "vamos, abram logo isso senão eu varo à bala", influenciada pelos personagens do Tempo e o vento e pela impaciência de Elis. Proibiram-me de voltar durante uma semana. Por sorte encontrei em casa Solo de clarineta, o livro de memórias de Erico.

Peço então, por favor, para 2009, não me digam nada que comece com e. Não vou agüentar outro ano assim. Esse já está comprometido pelo velho e bom Erico. Até recusei assinatura por um ano de Época isenta de pagamento para evitar maiores obsessões.
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Novamente a coruja

6.1.08
Estava eu conversando com minha prima no Messenger sobre a música "Corujinha". Ela comentou no blog que também achava a música triste. Falei sobre o aperto no coração de ouvir a música na voz de Elis.

Quando era criança, lembro-me de um domingo chuvoso com meu pai corrigindo provas e a música na vitrola. Não era ainda tempo de CD. Domingo já é um dia ruim, pois é véspera de segunda, dia de aula, aquele era com nuvens, meu pai sem poder dar atenção para mim e música triste pela casa.

Depois, ouvia todo o disco, menos essa. Já passada a infância, resolvi ouvir o disco e percebi que todas as músicas estão riscadas, menos "Corujinha". Claro, nunca ouvia, ainda mais com Elis, interpretando de seu jeito maravilhoso, deixando a música mais triste ainda, o que minha prima concordou. "Ela faz a gente ficar com pena mais pela voz dela do que pela música. Se fosse cantada em rock, voz alta e tal, nem seria tão dolorida", disse a prima.

Sugeri então Cássia Eller. Cabe aqui um comentário antes de alguém achar semelhança nas duas cantoras, como a causa da morte de ambas ter sido overdose de cocaína (será mesmo?) e o mesmo tipo de cobertura jornalística dada pela revista Veja. Não foi pela semelhança, mas por me lembrar de Cássia Eller cantando "A Cuca te pega" do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Uma "Corujinha" com arranjo diferente, bateria, guitarra, baixo e a voz rouca de Cássia. Tudo para não sentirmos mais angústia por causa do bichinho. Sei que a música perderia um pouco do encanto do jeito que está, mas ainda sinto uma tristeza ao ouvir Elis cantá-la no toca-discos. Ainda não comprei o CD com a música.
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"Tomando guaraná e ouvindo Elis"

22.12.07


O ano de 2007 para mim foi no embalo de Elis Regina, cantora que redescobri exatamente em janeiro deste ano com todo impulso, inclusive no de comprar CDs. Baratos, mas não mais coletâneas e sim os originais, capa, contracapa e ordem das músicas iguais. Somente tamanho reduzido e mídia diferente de quando foram lançados. Com preço bom, encontrei a maioria nas Lojas Americanas por menos de R$ 10,00 cada.

Tudo começou com "Furacão Elis", de Regina Echeverria, lido em um único dia. Influenciada pelos 25 anos de sua morte, em 19 de janeiro, não consegui mais parar de ouvi-la. Mas o começo mesmo foi com a música "Corujinha" do disco "Pra gente miúda" quando eu era criança. Eu não gostava de ouvir porque tinha pena da coruja. A música de Vinícius de Moraes descreve uma coruja feia que por causa disso vive escondida. Podia jurar que Elis cantava a música chorando. Era realmente de se sentir remorso, pois até a cantora tinha pena do bichinho.

Já que o ano começou com Elis, fechou também com ela. Presente adiantado de Natal ganhei "Saudade do Brasil" duplo. Finalmente pude escutar músicas como "Presidente Bossa Nova", "Sabiá", "Marambaia" e "Moda de sangue", esta uma das melhores interpretações de Elis. Em alguns momentos ela ri, e percebo que em outros trechos desta música, assim como em "Corujinha", ela chora.
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